Devem ser umas três horas da manhã de uma dessas madrugadas com cara de dia anterior. A gente se acostuma com a rotina assim como se acostuma com remédio que não é esporádico. Tem aquela resistência, mas não há nada que a gente possa fazer a não ser aceitar. Assim olhando pro pequeno pedaço que tenho do céu, já sem lua, sem estrelas e sem sabor de vida, vou riscando os dias que passam. Cada ciclo diário se completa mais uma vez, repletos de ódio, insanidade, terror e esses sentimentos de poucos amigos. E a cada dia me sinto mais insano. É como se estar perto da liberdade me fizesse deseja-la mais. Como se eu tivesse medo de nos últimos dias, ela fosse fugir pra ainda mais longe. Como uma dessas Utopias, que são mais como um caminho do que como um destino em si. Porque não servem necessariamente pra serem alcançadas, mas sim pra te fazer continuar andando. E eu tenho medo demais de ser assim.
Porque estar sendo julgado por algo que você fez é uma coisa, é horrível, claro. Ser julgado te faz sentir pequeno, fraco, e provavelmente é um dos piores sentimentos existentes por aqui. Mas ser julgado inocente é uma coisa um pouco pior. Sem querer parecer um criminoso exagerado, é bem pior. Mas agora, está tão perto. Perto demais. Não perto o suficiente para que eu possa tocá-la, mas perto o bastante para que eu possa senti-la. Mas estou nos nervos. Como um drogado sem heroína, eu quero tudo agora. Quero sair agora, mais do que ontem, menos do que amanhã, provavelmente.
Mas, antes de tudo, quero que devolvam junto com minha liberdade, minha alma.
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