Provavelmente não é nenhuma novidade o nosso gosto quase unanime pela chuva. Aquele barulho gostoso que todo mundo já descobriu que nos faz dormir melhor do que nos dias de calor. Porque, eu prefiro ter que me enrolar em milhares de cobertores, e parecer um bonequinho de neve do que ter que deitar no chão com um ventilador virado na cara. Além disso, a chuva é tão linda. Linda porque, de vez em quando, ela está tão forte. Tão forte que nos mantém dentro de casa. Nos emburra, nos tira o animo. E isso acontece. Porque até as coisas mais perfeitas e lindas da nossa vida possuem defeitos. Defeitos, falhas. Ira. Ninguém é calmo e nos faz dormir bem toda noite. Mas de vez em quando a gente encara. Encara trovoadas, nuvens intimidadoras e um guarda-chuva mal educado. Outras, a gente só abre a janela. Abre a janela e fica observando. Desliga a televisão e se atenta ao barulho. Observar também faz parte do processo. Faz parte da evolução. Porque no fim da bagunça toda, do transtorno e da frustração, vem algo tão bonito. Sempre vem. Uns demoram mais, outros menos. Mas são garantia. E mesmo assim... Tão indesejada e cruel as vezes, faz falta, quando simplesmente some.
Porque é assim. A gente tem que passar pelas tempestades pra só no fim observar o arco-íris.