quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Até eu

Eu acho que sou uma dessas pessoas que escreve a todo instante sem nenhum motivo aparente. Na verdade eu estou quase com uma certeza. Mas vamos afastar esse pensamento porque meus dedos já começaram a a flutuar. Eles sempre flutuam e correm quando eu acho que preciso falar de algo. E esse algo de hoje não é uma coisa muito legal.
Então eles flutuam tristes.
Mas ainda flutuam.
Existe uma teoria de que as pessoas se importam com todas as outras 6 bilhões e 99 alguma coisa de pessoas no Universo, ou que pelo menos deveriam e assim elas vivem felizes e assim elas são pessoas boas e tal. Que todo mundo é igual e isso faz da gente especial e ao mesmo tempo um pingo no meio de um Oceano inteiro. E olha. Eu não gosto disso.
Porque pra mim existem duas categorias de gente: 1) As que eu gosto 2) As inexistentes/Não importantes. Não é como se eu não tivesse sentimentos e essas coisas porque de vez em quando eu sou um batalhão deles -Ok, bem raramente, mas acontece 'tá-, é só que, eu prefiro que cada pessoa seja única. E elas nunca vão conseguir ser únicas se forem comparadas com quatrocentos trilhões de outras pessoas. É que existem pessoas eu gosto demais.
Gosto tipo, demais mesmo. E eu não sei e estou num ponto de me perguntar toda hora se elas sabem. Existe uma meia dúzia única que é de total importância pra mim. Pra quem eu sou e todo o etc. Porque se eu já sou ruim com eles, sem eles já estaria em prisão perpétua por ter matado uma família de judeus.
Eu só queria deixar claro que eu sou um corpo normal, com ossos e carne (e quatrocentos mil quilos de gordura), e cérebro (mal desenvolvido, obrigada) e todo esse conjunto. Estou a todo instante doando e -querendo- recebendo sentimentos.
Eu queria deixar ainda mais claro que de vez em quando ATÉ EU preciso de um pouquinho de atenção. Que ATÉ EU queria não ser Invisível.
Obrigada.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Azeite, Azul, Amido, Abelha, Amigo, Amora, Azulejo, Anel, Anilina, Roma

Vamos ficar juntos até quando a gente quiser, até amanha, até sexta, até mês que vem, até nossos filhos entrarem na faculdade. Não me importa. Que não pensemos nisso, não agora. Não antes de um domingo ensolarado. Que dividamos sofás projetados para uma pessoa e que assistamos filmes de terror previsíveis aos dias úteis de tarde.
Que sejamos felizes antes de qualquer outro tópico. Preciso antes de qualquer outra coisa, informar que os dias são bons. Que tua companhia é calma e teu cheiro, doce. E por enquanto é tudo que eu preciso.
Existem infinitos e imprevisíveis outros dias pela frente, e que todos tenham um abraço carinhoso e uma declaração de afeto. Que nenhum dia seja vazio, que contenha ao menos, saudade. Que sejamos amigos.
E que sejamos apaixonados, até quando der. E que a cada risada e informação, sejamos diferentes que se começam a parecer mais. Que não nos completemos, mas que nos transbordemos.
E é tudo que eu estou pedindo. Se você acordar amanhã, e decidir que eu sou sardenta demais pra um relacionamento tão engraçado, ou vegetariana demais pra um beijo, está tudo bem. É que como diria uma certa pessoa com câncer maldita, "Seria uma honra ter o coração quebrado por você." (Mas eu espero que não faça, só pra deixar muito bem claro, explicado. E isso é apenas um comentário.)
Que não tenhamos muita pressa. E que não percamos tempo.
Parece tudo muito confuso, e na verdade é. É só fingir que é fácil que fica tudo bem. Porque parece meio fácil, quando estou no lugar onde deveria estar com quem deveria estar.
É que eu... Bom, eu gosto de você da lua e volta.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Nada mais que calma

Não acredito em coincidência ou nada parecido. Pra mim, todos nós temos vários caminhos estipulados e a cada escolha algumas estradas são eliminadas. Talvez seja um pouco estranho e duro de acreditar, mas parece o mais sensato pra mim, agora. De um tempo pra cá venho aceitando as escolhas (minhas e de todo o resto do Universo) de um jeito mais fácil. Não que não doa mais ou que não sejam questionáveis. Só parecem um pouco menos rígidas agora. Um pouco menos duras porque eu não as analiso direito. Deixo passar detalhes que talvez um tempo atrás teria achado interessantes. E é só isso, acho que deixei de me preocupar um bocado.
Não que eu tenha me tornado alguma coisa parecida com alguém indiferente ou frio, só acho que se as coisas aconteceram, é que assim eram pra ser e pronto. Sem delongas, sem frases sem sentido a mais. Sem muitas vírgulas.
Ou parágrafos.
Só pontos finais.
É que as coisas por incrível que pareça andam bem. Estáveis. Não muito complexas. Calmas. Uma maré boa, gostosa de ser apreciada e por um momento eu não quero me preocupar com o que está por mim. Pelas decepções futuras. 
É que as coisas dão seu próprio jeito de se complicarem, se enrolarem e deixarem de ser boas. De vez em quando, eu nem preciso colocar meu dedo pra desgraça se completar.
Eu só espero uns dias bons.
E nada mais que isso.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

"Querido;

Por ora, tenho que começar com um boa noite. Todos os cumprimentos à você, querido. Iniciações feitas, que comecemos.
Queria te dizer que passo horas a fio de vez em quando, pensando no que fazer. No que falar, escrever, e essas coisas mais que parecem tão difíceis e novas. Não são, eu sei. Mas quando se trata de mim, aceite a bagunça. Quero deixar claro, como primeiro tópico que não me faz mal. É uma pessoa incrível e é naturalmente por isso que passo tanto tempo pensando ao seu respeito. Que esteja claro. A maior parte do tempo, tudo que eu tenho pra dizer são reclamações e lamentos. É que esse é o grande problema das pessoas para comigo. Você, em especial me conheceu em uma época tão chata. Você em especial as suportou e até onde eu entendi gostou de mim desse jeito. É um pouco esquisito, mas continua sendo interessante.
Você é incrível. Um tanto confuso, como se cada dia fosse uma oportunidade de descobrir algo novo sobre você. Nem que seja uma preferência de comida, uma cor que te agrada ou qualquer uma dessas besteiragens. Como se nunca fosse conhecer o Você de ontem. O que me deixa ansiosa para conhecer o seu Você de hoje e o Você de amanhã.
É que de uma maneira um pouco cruel eu sinto você em todas as coisas do Mundo. Clichê, mas consigo ver você no Céu tempestuoso e na "Praça de Protestos". Consigo te enxergar nos livros e nas rosas. Nas tabelas de cores. 
E principalmente nelas.
É porque você é uma mistura das cores mais lindas e exóticas de todo o planeta. Dos mais variados tons de bege, de verde. Do azul-turquesa ao azul-petróleo. De todos os azuis. Dos cinzas. Indizível.
Você é.
Imagino-te daqui uns anos. Repletos de caixas contendo felicidade, chás de camomila e café forte. Uma cadeira de balanço na varanda, uns livros na estante, um piano e um violão. Quase tudo em singular porque você nunca precisou de muito, precisou do suficiente. Pouco, porém bom, é assim o bastante. Um espelho refletindo beleza eterna e mais do que exorbitante. Eu, com a modéstia já conhecida me encaixaria um pouco fácil nesse contexto. Queira você ver ou não, eu sou um poço de imperfeições, o que significa um equilíbrio. 
Egoísta, eu tenho que tocar no ponto "Eu".
Eu ia cuidar da forma mais clichê e mimável conhecida. Aprenderia a fazer café e a segurar uma vassoura decentemente. Essas coisas secundárias que não fariam diferença porque eu não me importaria de aprender.
É que em um texto que eu faça onde tenha você, não posso deixar que me falte.
E um texto que tenha tanto Eu, não posso te deixar de fora.
Não é porque necessito de ti, porque não me viro bem sozinha ou por conta dessas coisas dependentes.
A verdade é que, rebelde sem causa ou não, eu até me viro bem sozinha. 
É porque gosto da sua companhia e quando não leio-te, vejo-te ou da sua voz aprecio o dia não está completo. Parece quebrado, faltando, como se fosse simplesmente um projeto de dia ruim. É um dia ruim.
Só queria deixar mais uma vez claro, que é mais do que importante. Porque é diferente, querido e bondoso.
Mais do que de novo, mais do que chato, quero dizer obrigada pelas flores. Pelos abraços dados voluntariamente e sorrisos. 
Queria deixar claro que se os anos passarem e se tudo isso não sair desse lugar, continuará sendo uma lembrança mais do que especial. Confirmo meu egoísmo, aceito seu amor, se um dia do nada quiser doá-lo. Cuidarei direito.
Tem o meu.
Um abraço voluntário."

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O pior texto da história.

Não sei direito sobre o que escrever ultimamente. Sei que é um péssimo jeito de começar qualquer coisa, porque alegar a incompetência não é uma das melhores armas que você tem. Mas isso é mais um daqueles detalhes irrelevantes. Eu queria escrever pela primeira vez porque eu preciso escrever. Todas as vezes anteriores eu escrevi porque eu queria, porque eu sentia vontade e às vezes esse desejo foi tão remoto que eu até desistia  no meio. Porque era tão incerto que eu nem me preocupava com o fim que daria. Alguns outros eu escrevi em cinco minutos e foram os que eu escrevi com maior sinceridade. A verdade é essa, algumas coisas me vem no momento e outras demoram pra carregar. É uma péssima analogia, e é mais uma das coisas que eu não me dou bem.
A vida de todo mundo não deve seguir um roteiro específico, ou na verdade não deve nem ter começado direito. A vida de todo mundo tem seus altos e baixos e é isso que nos mantém vivos. Mas algumas vezes, parece que alguma força maior e definitivamente não muito legal quer só ferrar com a sua vida. É algo parecido como "Ah, esse ser humano mais ou menos está tão feliz. Não gosto. Não acho vantagem."
Considere uma pessoa não muito supersticiosa escrevendo aqui. Na verdade, me considere como um ser sem fé nenhuma. Tirando esse fato que não acredito em muita coisa, (Leia-se: Não acredito em nada.) é estranho eu por várias vezes dizer "Eta, só falta cair um meteoro em cima da minha cabeça pra completar esse ciclo de desgraças". É claro que eu devo estar reclamando demais, já que tenho comida, duas pernas e essas coisas que se eu não tivesse também já seria demais. Mas não quero sermão, lição de moral porque bom, eu não me importo.
Algumas vezes acho que tudo tem que dar errado em uma fase da tua vida porque é a emoção das coisas. Outras eu acho que é só um pretexto do Universo dizendo "Camarada, tu 'tá ocupando muito espaço no mundo e tem gente ruiva por aí mais gata. Dá pra se matar, por favor? Atenciosamente Universo Infinito e que te Odeia." Ultimamente eu quero que esse circo de horrores termine. Quero um pouco de mudança, não me importa o tamanho. Só o suficiente pra mudar as coisas.
E é tudo.
Não vou me preocupar com um final bom, porque não é um texto bom. Nem uma vida boa.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Histeria

Devem ser umas três horas da manhã de uma dessas madrugadas com cara de dia anterior. A gente se acostuma com a rotina assim como se acostuma com remédio que não é esporádico. Tem aquela resistência, mas não há nada que a gente possa fazer a não ser aceitar. Assim olhando pro pequeno pedaço que tenho do céu, já sem lua, sem estrelas e sem sabor de vida, vou riscando os dias que passam. Cada ciclo diário se completa mais uma vez, repletos de ódio, insanidade, terror e esses sentimentos de poucos amigos. E a cada dia me sinto mais insano. É como se estar perto da liberdade me fizesse deseja-la mais. Como se eu tivesse medo de nos últimos dias, ela fosse fugir pra ainda mais longe. Como uma dessas Utopias, que são mais como um caminho do que como um destino em si. Porque não servem necessariamente pra serem alcançadas, mas sim pra te fazer continuar andando. E eu tenho medo demais de ser assim. 
Porque estar sendo julgado por algo que você fez é uma coisa, é horrível, claro. Ser julgado te faz sentir pequeno, fraco, e provavelmente é um dos piores sentimentos existentes por aqui. Mas ser julgado inocente é uma coisa um pouco pior. Sem querer parecer um criminoso exagerado, é bem pior. Mas agora, está tão perto. Perto demais. Não perto o suficiente para que eu possa tocá-la, mas perto o bastante para que eu possa senti-la. Mas estou nos nervos. Como um drogado sem heroína, eu quero tudo agora. Quero sair agora, mais do que ontem, menos do que amanhã, provavelmente. 
Mas, antes de tudo, quero que devolvam junto com minha liberdade, minha alma.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Temor

Esses dias (Por que não dizer, ontem, hoje e dias mais?) estava pensando nas coisas que não fiz "por medo". Foram coisas demais, e eu não soube o que pensar no final. Tive medo de várias coisas. Uns medos menos sensatos que outros. Alguns até ridículos. Mas todos medos. Em seus diferentes tamanhos. Aí eu percebi finalmente que não os quero mais. O medo, e todas as suas consequências idiotas. Porque... É como se ele me fizesse sentir que "é o melhor a ser feito", mas nunca é, e nunca foi. Porque na verdade tudo que eu consigo arrancar dele é arrependimento, e não quero mais, obrigada. É que eu pendo muito pra esse lado, sabe? De "vai dar errado, porque já deu uma vez", talvez duas, três, isso não conta porque se eu for falar de números paro por aqui e esqueço onde queria ir com isso. Então. O ponto é que ainda não deu certo, eu não sei porque, mesmo. Mas não acabou a vida, e acho que, felizmente ou não, eu tenho um tempinho pela frente. E eu quero tentar, o que estiver ao meu alcance. Porque pode dar errado e me render um bom período de lamentos, ou pode dar certo. Pela primeira vez dar certo, de verdade. Eu ainda não sei o que "seria dar certo", mas, quer saber? Ou eu sou melosa mesmo (Estou pior agora, j-u-r-o que não sou assim normalmente), ou é normal querer, sei lá, saber o que significa com você. Porque, há alguns medos necessários infelizmente. Eu os sinto às vezes, mas de vez em quando é tão bonitinho, que eu acho que a palavra "medo" nem se encaixa mais. É que às vezes eu sinto medo demais do teu medo maior. Porque isso tudo aqui, que eu estou tentando escrever sobre, depende de duas pessoas. Duas coragens, dois corações, e essas coisas que não funcionam individualmente. Tenho medo de, quando te dou aqueles abraços intermináveis, estar na verdade te sufocando, e não te dando carinho. Medo de, não conseguir deixar de fazer essas coisas. Medo de não ter a oportunidade de algo verdadeiro. E bonito. E medo de ser a única a pensar assim. Alguns medos, mas na verdade, eu não me importo, agora. Porque tudo que eu queria era deixar claro que eu não tenho propósito nenhum de me importar com esses medinhos. Porque eu confio em você, não disse? Confio em você de verdade. Acredite você ou não. E é por isso que vou aceitar suas escolhas, e opções. Assim como você aceitou as minhas, e continua aceitando minhas ideias idiotas. 
É que eu queria te dizer na verdade que eu não tenho Medo.
E queria te pedir um favor.
Vamos, assim, sei lá, ser destemidos. Juntos?