terça-feira, 3 de julho de 2012

Vazio.


E aí bate de novo aquela sensação que ninguém deveria sentir, sabe? Aquela no fundo da alma, tão fundo, que seria até quase impossível de explicar onde fica, na verdade. É quase como aquela palavra que eu odeio, aquela que começa com D e termina com ESISTO. Eu a odeio. Acho que é porque repeti tantas vezes na minha própria mente que passei a ter repugnância para com ela. É tão imbecil. Fútil. Coisa de gente fraca. E eu não sou fraca... Mas aí, como mágica, eu me sinto como se estivesse diminuindo, entende? E você vê tudo que lutou pra construir, com cansaço, com tantos "Tudo bem, eu sei que estou certa, mas não vou te falar isso... Vou aceitar.", tanta coisa.... Vê tudo caindo. É quase a imagem do castelo de areia de 2 horas para ser feito sendo desmoronado por uma simples e leve onda. É assim, mesmo. E do mesmo jeito que tudo cai... Eu imagino como seria cair. Cair, simplesmente, entende? Em um buraco, sem fundo! Com água, infinita água de preferência... Água é tão bonito... Eu me sinto bem. Tudo bem, seria horrível morrer afogada mas... Cair... Cair... E ir caindo até não poder mais. Fechar os olhos e ver o escuro. Ver o fim. Porque poderia ser futilidade... Mas ninguém nunca saberá, não é? Ninguém nunca saberá o porque. E aí é a melhor parte. Eu poderia ir. E aí, quando eu estivesse na água... Seria uma imagem tão bonita. Eu poderia ver, de baixo, tudo que se foi. Tudo. Se eu pudesse escolher... Eu preferia deixar as coisas ruins primeiro. Tudo aquilo. Tudo aquilo que eu ouvi, tudo aquilo que eu senti, tudo o que meus olhos deixaram cair, todos os hematomas escondidos pelo moletom, hematomas que nem sempre foram recebidos dos outros. Toda a fraqueza, a imundice do corpo. E depois... Eu poderia ver tudo de bom. Aquilo que me fez sorrir. Aquelas palavras. Aquelas memorias. As palavras dele, principalmente. Aqueles abraços, todos os beijos... As paisagens. Queria, ver a praia. A praia de 5:00 da manhã que quis ver. O sol... Pela última vez o Sol nascendo. Aquela cor! Linda! Queria ver as risadas, os filmes, as pipocas, os livros, os animes, as bonecas, os primos, os bonés, os meninos. Mas... Aí... Eu acho que me arrependeria de ter caído. De ter desistido de novo. Depois de tanta coisa boa, eu ia deixar tudo pra trás... Pelas ruins? Por tudo que não me adiciona em nada? Eu seria fraca. A mesma fraca chorando. A mesma fraca sangrando. A mesma fraca se arrependendo. A mesma fraca pedindo desculpas estando certa... Eu não sei... Eu precisaria lutar um pouco mais. Poderia fazer tudo que fosse possível para isso... Talvez... Ou, quem sabe a queda seria boa... Realmente?

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